Remuneração digna: base da qualidade assistencial

Médicos devem ter reconhecimento profissional assegurado para prestar atendimento de qualidade

Uma boa assistência cardiológica passa necessariamente pela valorização profissional e pela remuneração médica digna. É insano considerar os valores hoje pagos pelo SUS por uma consulta médica em um país que tem recursos para distribuir bilhões em mensalões de políticos e que, entre outras aberrações,  perdoa a dívida de 840 milhões de dólares de países africanos, incluindo as sangrentas ditaduras da Guiné Equatorial e do Sudão, e empresta outros 682 milhões de dólares a fundo perdido para a construção do porto de Mariel, em Cuba .

Também é inacreditável pensar que uma consulta médica possa ter valores tão diferentes, dependendo das ditas categorias – ouro, prata ou bronze – das operadoras, como se o médico pudesse dar maior ou menor atenção ao doente em função de seu contrato junto ao plano de saúde. Isso sem falar, nas heterogêneas tabelas de honorários em diferentes cidades ou serviços para um mesmo procedimento, como se o trabalho médico fosse mera mercadoria que se presta a promoções de ocasião.

Mas qual é a saída para tal estado de coisas? A resposta é a união. Se é utópico pensar na solução para todas as especialidades e procedimentos médicos, há evidências de experiências brasileiras bem sucedidas que podem e devem urgentemente inspirar atitudes. Todos conhecem a história das cooperativas brasileiras de anestesistas que, com a agregação, conseguiram há muito, garantir remuneração digna àqueles especialistas. Também é exemplar a conquista dos cirurgiões cardíacos, via SBCCV, que unidos tornaram a tabela de remuneração do SUS melhor que a da maioria dos convênios.

Mas há um exemplo ainda mais palpável , de que, com trabalho e determinação (e esses não nos faltam) poderia ser (e  será) difundido para todo o Brasil. A Cooperativa de Trabalho dos Médicos Cardiologistas de Pernambuco: Coopecárdio. Mais que uma cooperativa de especialistas, é uma entidade voltada para a defesa dos pacientes, acolhendo-os com relação às suas pendências com as operadoras de saúde e uma defensora do valor do trabalho médico. Hoje a Coopecárdio, segundo o seu presidente, o colega Carlos Japhet da Matta Albuquerque, negocia com os valores da CBHPM banda média, o que, só para se ter ideia, tem garantido aos cardiologistas pernambucanos valores mínimos de consulta com ECG por R$ 88,00 (com ECG em 100% das consultas cardiológicas), o teste ergométrico por R$ 113,90, o ecocardiodoppler por R$ 223,00, além de remuneração bem acima das médias brasileiras para demais exames e procedimentos médicos cardiológicos.  A cooperativa presta ainda assessoria jurídica a médicos e pacientes a valores ínfimos.

Com união, vontade e determinação, esse exemplo pode ser facilmente replicado a cada região brasileira e coordenado por uma central de cooperativas de cardiologia na nossa SBC, em plena integração com a SBCCV e SBHCI. Essa é uma iniciativa que precisamos juntos deflagrar, pois se a união faz a força e o diálogo traz o entendimento, a determinação é o primeiro passo para vislumbrarmos a possibilidade de mudanças no atual cenário.

 

* Teodoro Obiang, presidente da Guiné Equatorial, comprou uma cobertura na Av. Vieira Souto, no Rio de Janeiro, por 80 milhões de reais, a maior transação imobiliária da cidade, segundo a Revista Veja, edição 2.324.

 

Fonte do texto: coopecardio.com.br

 

Por Marcus Vinícius Bolívar Malachias

cardiologista, professor-doutor da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais e candidato à presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) nas eleições de 2014

 

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