Sessão Eletrocardiográfica nº 6

Resposta do ECG nº 17

O caso é um exemplo típico de interação entre uma história clínica bem colhida e a função do ECG como exame complementar.

No traçado, vemos uma alternância entre um RITMO SINUSAL BRADICÁRDICO, onde a frequência cardíaca é levemente irregular, por provável arritmia sinusal respiratória, e EPISÓDIOS NÃO SUSTENTADOS DE FIBRILAÇÃO ATRIAL DE ALTA RESPOSTA VENTRICULAR.

Associando o traçado à clínica apresentada, onde existem agitação, sudorese e distúrbios gastrointestinais, numa mulher jovem, o raciocínio imediato e responsável obriga o médico a pensar na hipótese de DISTÚRBIOS DE FUNÇÃO TIREOIDIANA.

Assim, a solicitação das PROVAS DE FUNÇÃO TIREOIDIANA , cujo resultado foi anormal para o diagnóstico de HIPERTIREOIDISMO, propiciou o início do tratamento clínico, objetivando evitar que o quadro degenerasse para uma temida complicação – a CRISE TIREOTÓXICA, cujo combate é muito mais difícil.

ECG nº 18

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Trata-se de um paciente do sexo masculino, de 64 anos, internado numa Unidade Coronariana para acompanhamento após ter sofrido um infarto agudo do miocárdio de parede inferior.

Num ECG realizado de rotina, estando o paciente assintomático, observamos o traçado acima, que nos mostra arritmias geminadas- no caso, um TETRAGEMINISMO, caracterizado por três batimentos sinusais aos quais se segue um batimento ectópico, de morfologia diferenciada, que deixa pausa compensatória completa, ou seja, a distância entre dois batimentos sinusais no ciclo que contém o batimento ectópico é igual a duas vezes o intervalo R-R dos complexos normais.

Esse achado corresponde ao diagnóstico de EXTRASSÍSTOLES VENTRICULARES TETRAGEMINADAS. Devemos, ainda, observar que, no batimento ectópico, não é observada a presença de ONDA P PRÉVIA.

Além disso, na segunda tira do traçado, após o sexto batimento, inicia-se um episódio de TAQUICARDIA, com morfologia idêntica à do batimento ectópico, com frequência cardíaca em torno de 150bpm, cujo primeiro batimento é levemente menor em amplitude que os seguintes, o que configura um BATIMENTO DE SOMA, característico nos episódios de TAQUICARDIA VENTRICULAR, no caso, NÃO SUSTENTADA. O batimento de soma é a expressão do encontro entre dois ritmos, um superior e o outro, inferior, confirmando a origem ventricular do ritmo ectópico.

O caso foi confirmado pelo exame eletrofisiológico realizado na época, e o tratamento efetuado com a rapidez necessária, evitou que a instabilidade elétrica ventricular, provocada pela isquemia miocárdica, pudesse provocar evolutivamente arritmias mais complexas, com consequente risco de vida

ECG nº 19 – TESTE DA SEMANA

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Trata-se de uma paciente jovem, de 28 anos, que é socorrida numa emergência em estado grave, apresentando-se chocada, cianótica , dispneica e desorientada.

Ao simples exame do ECG, o médico plantonista não teve dúvidas quanto a seu diagnóstico e  a implantação imediata do tratamento, após a colheita de um exame complementar, possibilitou o salvamento da sua vida.

Perguntamos:

1-      Qual a imagem significativa mostrada pelo ECG?

2-      Que exame complementar possibilitou auxílio imediato no diagnóstico?

3-      Que pergunta deveríamos fazer à paciente, após sua recuperação, para instruí-la para o período após a alta, em caso de resposta afirmativa ?

 

Na próxima sessão, daremos as respostas. Atenção e boa sorte!

ECG nº 20

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Trata-se de um paciente do sexo masculino, de 65 anos, que se apresentou numa emergência para se queixar de importante cansaço, a mínimos esforços, associado a precordialgia, de forte intensidade, mediante esforços médios, quando ocorria sudorese intensa.

É evidente que, diante de tal clínica, a realização do ECG era fundamental e ele, mais uma vez, se mostrou diagnóstico.

O que vemos no traçado acima é um ritmo sinusal de frequência básica normal, em torno de 75bpm, com eixo de QRS desviado para a esquerda, em torno de -30°, mas que chama principalmente  atenção nos distúrbios aberrantes da repolarização ventricular, com ondas T amplas, invertidas e simétricas em paredes anterior e lateral, além de distúrbio semelhante, em menor intensidade, visto em parede inferior.

Correlacionando o traçado com a clínica apresentada, imediatamente foi providenciada a internação do paciente em Unidade Coronariana, com coleta de enzimas séricas, que se revelaram normais.

Instituído o tratamento para alívio do paciente, e, diante do que mostrava o ECG e a  clínica, optou-se pela realização da coronariografia, que revelou suboclusão do tronco coronariano, além de outras lesões de importância hemodinâmica em ACDA e ACD.

O diagnóstico eletrocardiográfico conclusivo para ISQUEMIA SUB-EPICÁRDICA ANTERIOR EXTENSA E INFERIOR, associado  à sintomatologia aberrante presente no caso e ao resultado positivo da coronariografia, com lesão multivascular,  constitui-se em fator determinante e urgencial da realização da cirurgia de revascularização miocárdica, com o objetivo de evitar-se sua evolução para o infarto agudo do miocárdio.

ECG nº 21- TESTE DA SEMANA

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Trata-se de um paciente do sexo masculino, de 50 anos, militar, que nos procurou no Ambulatório de Risco Cirúrgico do HUPE-UERJ, para exame clínico-cardiológico visando a realização de colecistectomia.

Antes de analisarmos seu ECG, contou-nos o paciente que, aos 19 anos de idade, servindo o Exército, havia sofrido um “infarto do miocárdio”, diagnosticado após ter desfalecido durante um teste de corrida. O infarto teria sido “curado” após o uso de vasodilatadores orais, porém, nunca mais seria liberado para exercícios ou qualquer procedimento cirúrgico, mediante a prestação de tais informações,  nos locais que havia procurado até então.

Curioso com o inusitado da história, procurei interpretar seu ECG.

A imagem apresentada favoreceu o esclarecimento do caso, facilitando a explicação de uma patologia não diagnosticada para ele nos últimos 31 anos e possibilitando a realização da cirurgia, porém com algumas precauções;

Perguntamos:

1-      O que mostra o ECG ?

2-      Que atitude deveríamos tomar com o paciente?

3-      Que pergunta fundamental deveríamos fazer a ele?

4-      Seria necessário ou profilático o uso de alguma medicação?

 

Na próxima semana, daremos as respostas. Atenção e boa sorte!

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