Socerj inicia campanha sobre insuficiência cardíaca

Socerj inicia campanha sobre insuficiência cardíaca

Mortalidade no Brasil pela doença é três vezes superior que em outros países. A internação hospitalar é um sinal de alerta para novos eventos

                                                                              

O dia 9 de julho foi estabelecido pela Sociedade Brasileira de Cardiologia como o Dia Nacional de Alerta da Insuficiência Cardíaca e tem o apoio da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro (Socerj) por meio do seu Departamento de Insuficiência Cardíaca. Para orientar a população sobre a Insuficiência Cardíaca (IC) – caracterizada pela dificuldade do coração em atender todas as demandas do organismo – a Socerj inicia uma campanha de esclarecimento sobre a doença em suas redes sociais (www.fb.com/Socerjpublico e @socerj) e site (www.socerj.org.br).

No Brasil, de acordo com o DATASUS, do Ministério da Saúde, no ano de 2012, 26.694 óbitos foram por IC. Para o mesmo ano, das 1.137.572 internações por doenças do aparelho circulatório, em torno de 21% foram devidas à IC. O primeiro registro realizado no país, chamado BREATHE (Brazilian Registry of Acute Heart Failure), mostrou a elevada taxa de mortalidade intra-hospitalar por insuficiência cardíaca (12,6%, enquanto em outros países varia entre 3% e 4%). Vale ressaltar que o Brasil também tem uma das mais elevadas taxas no mundo ocidental de reinternações (50% reinternam em 90 dias), o que mostra um grave problema de saúde pública. *

“A campanha da Socerj quer chamar atenção para uma síndrome extremamente prevalente e incidente. Dados americanos mostram que a incidência da doença aumentará 46% até 2030, resultando em mais de oito milhões de pessoas acometidas. A incidência em ascensão se deve ao aumento da expectativa de vida, uma vez que a doença acomete principalmente as faixas etárias mais elevadas”, afirma o presidente do Departamento de IC da Socerj, Dr. Marcelo Iorio Garcia.

Entenda a Insuficiência Cardíaca

Sintomas

Os sintomas da IC incluem fadiga, intolerância aos esforços, incapacidade de realizar tarefas consideradas rotineiras. A dispneia (falta de ar) é uma manifestação frequente e pode ser um sinal de alerta. Edema dos membros inferiores e tosse persistente também são sintomas que merecem atenção.

Em pessoas idosas as manifestações podem ser atípicas, uma vez que já pode existir limitação funcional da própria faixa etária.

Causas

Entre as causas mais comuns da IC estão: doença aterosclerótica do coração (infarto e angina), hipertensão arterial e diabetes. O consumo excessivo de bebida alcoólica também é uma causa de dilatação do coração e da doença.

Existem doenças inerentes ao habitat natural, como a doença de Chagas, transmitida pelo protozoário Trypanosoma Cruzi (popularmente conhecido como barbeiro). A cardiopatia chagásica pode evoluir com arritmias e também com aumento do coração e insuficiência cardíaca. Em 2019 completamos 110 anos da descoberta desta doença, pelo professor Carlos Chagas.

Diagnóstico

Pacientes com o coração de tamanho normal também podem apresentar a síndrome clínica de IC, chamada IC com Fração de Ejeção Preservada (ICFEp). “Isso é de extrema importância, pois quando vemos um coração de tamanho normal (não dilatado) e sintomas de cansaço, a tendência é que este paciente não seja encaminhado ao cardiologista. Essa síndrome é mais prevalente em idosos e nos indivíduos com fibrilação atrial (arritmia extremamente comum). Isso torna o diagnóstico desafiador e muitas vezes só realizado quando fazemos testes provocativos”, aponta o cardiologista. Exames simples, como o eletrocardiograma, a radiografia de tórax e o ecocardiograma são ferramentas fundamentais para confirmar a suspeita clínica.

Tratamento

Quando o coração dilata e o tratamento farmacológico não tem efeito, o transplante cardíaco se torna uma opção. Apesar de ser uma ótima alternativa para os casos mais graves, só é possível por meio da utilização de imunossupressores, indicados para evitar a rejeição do órgão. Entretanto, como não existem órgãos disponíveis para toda a população, o objetivo do tratamento é não chegar ao estágio de indicação do transplante, pois atualmente existem diversos fármacos que atenuam a evolução da IC e, dessa forma, é possível conviver com a doença e com boa qualidade de vida.

“Além dos fatores de risco já discutidos, uma boa adesão farmacológica e consultas regulares são fundamentais. As clínicas de IC com a presença de vários profissionais de saúde atuando em conjunto têm mostrado grande benefício. O médico isoladamente tem um papel limitado. Sua atuação é otimizada na presença de enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos”, esclarece Dr. Marcelo.

Público de risco

Os fatores de risco citados devem ser tratados e, de extrema importância, deve-se combater o sedentarismo e o tabagismo. “Algumas miocardiopatias têm um caráter hereditário e exigem a investigação de membros da família para casos muitas vezes mascarados. Mas o importante é salientar que a maioria das doenças que evoluem para a IC podem ser evitadas”, explica o cardiologista.

*http://www.scielo.br/pdf/abc/2015nahead/pt_0066-782X-abc-20150031.pdf

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