O que todos devem saber sobre o coração?

  1. O que é infarto do miocárdio?

O infarto do miocárdio é uma condição em que o coração sofre consequências graves decorrentes da redução do fluxo de sangue que chega ao miocárdio (músculo cardíaco). Quando o sangue é bloqueado por um tempo prolongado, de modo que parte do músculo cardíaco seja danificado ou morra, temos o denominado infarto do miocárdio.

Em geral, o infarto do miocárdio ocorre de modo secundário à obstrução das artérias coronarianas, que irrigam o miocárdio por placas de aterosclerose. As placas se instalam ao longo de muitos anos e em um dado momento sofrem ruptura ou erosão, expondo substâncias que levam a coágulos no seu interior, que causam redução do fluxo de sangue para o coração de modo abrupto. Outra forma de infarto do miocárdio é por contração dos vasos, como é observado em casos de infarto após o uso de cocaína.

 

  1. Quais são os sintomas mais comuns do infarto?

Dor no peito, associada ou não com dor nas costas, no braço esquerdo ou no pescoço, são manifestações frequentes no infarto do miocárdio. Esses sintomas quando ocorrem são indicadores da necessidade de busca de atendimento médico com rapidez. Também podem ocorrer falta de ar, cansaço, enjoos, vômitos, desmaios, palpitações, sensação de vertigem e até perda da consciência nos casos mais graves. Em algumas situações o infarto pode passar sem ser percebido e só depois, através de exames laboratoriais, ser detectado.

 

  1. Quais são as pessoas com maior risco de infarto do miocárdio?

As pessoas que têm maior risco de aterosclerose são as que têm mais risco de infarto, como diabéticos, fumantes, pessoas com pressão alta, pessoas com história familiar de doença cardíaca prematura, pessoas com colesterol elevado e sedentários.

O infarto é uma doença séria, que tem mortalidade elevada e que precisa ser tratada de modo rápido para restabelecimento do fluxo de sangue nas coronárias. Muitos pacientes morrem antes de terem tempo de chegar ao hospital por problemas no ritmo cardíaco, arritmias fatais. Esses pacientes são aqueles em que somente a prevenção poderia ter salvado a vida deles, e respondem por metade de todas as mortes por doença isquêmica do coração.

 

  1. O que é hipertensão arterial?

A hipertensão arterial é uma doença crônica em que a pressão sanguínea nas artérias se encontra em valores acima do normal. A doença geralmente não causa sintomas, sendo considerada uma das mais comuns a acometer os brasileiros. Cerca de 25% da população brasileira adulta é hipertensa, sendo que grande número de pessoas não sabe se é hipertenso.  A pressão alta é um dos principais fatores para a ocorrência de acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, aneurisma arterial e insuficiência renal e cardíaca.

A 7ª Diretriz de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia define a pressão arterial normal como valores de pressão sistólica menores ou iguais a 120 mmHg e de pressão diastólica menores ou iguais a 80 mmHg. Os casos de pressão sistólica igual acima de 140mmHg e de pressão diastólica igual ou acima de 90 mmHg são classificados de hipertensão arterial. Valores intermediários são observados de modo intensivo pelos médicos para definição adequada e avaliação de estado de pré-hipertensão.

 

  1. Qual a causa da hipertensão arterial?

A hipertensão tem forte componente hereditário, sendo responsável por até 90% dos casos. Diversos fatores contribuem para elevar a pressão arterial e devem ser controlados de forma a evitar o surgimento da hipertensão ou, caso esta já esteja presente, para seu melhor controle. Os fatores que podem determinar a HAS ou agravá-la são:

– Fumo, consumo exagerado de bebidas alcoólicas, obesidade, estresse, elevado consumo de sal, exposição à poluição ambiental, sedentarismo (falta de atividade física), certos medicamentos que podem levar a aumento da pressão arterial (remédios contra o câncer, vasoconstritores, esteroides etc.).

O controle dos fatores acima mencionados e, quando necessário, o uso de medicamentos anti-hipertensivos, constituem a base do tratamento da hipertensão, que é muito eficaz. É fundamental que toda pessoa meça a sua pressão regularmente, mesmo que não esteja sentindo nada e que use os medicamentos para controle da pressão arterial de modo regular, conforme orientação médica.

 

  1. Qual o impacto do colesterol nas doenças do coração?

A aterosclerose consiste no acúmulo de placas de gordura nas paredes das principais artérias do organismo. Entre os fatores que promovem a aterosclerose destacamos: aumento das gorduras no sangue (dislipidemias), diabetes melitus, sedentarismo, tabagismo, hipertensão arterial, história familiar de doença cardiovascular prematura, idade e o sexo masculino.

O colesterol elevado é um dos maiores vilões da saúde cardiovascular, sendo que o LDL é ligado diretamente à aterosclerose. O colesterol é um lipídio (gordura) produzido pelo fígado a partir de alimentos ricos em gordura e é necessário para o funcionamento normal do corpo, estando presente nas membranas (camadas externas) de todas as células do organismo. O colesterol é habitualmente constituído de duas frações: (1) a HDL (fração de alta densidade), que leva o colesterol das células para o fígado, onde é processado e eliminado, por isto chamado de bom colesterol, pela tendência de proteção de doenças cardiovasculares com os níveis mais elevados de HDL-colesterol; e (2) o LDL (fração de baixa densidade), que leva o colesterol do fígado para o organismo, mas que também está associado a maior acúmulo do colesterol nas placas de aterosclerose, sendo por isto denominado de mau colesterol.

O colesterol da alimentação só responde por 20% dos valores observados no sangue, sendo a maior parte do colesterol produzido no próprio corpo. Estudos mais recentes apontam que o ovo, considerado vilão por conter colesterol, contribui muito pouco para elevação do colesterol no sangue e pode ser consumido moderadamente sem influenciar de modo negativo o risco de doenças cardíacas.

Quando um paciente tem o seu nível de colesterol alto, ele é orientado pelo seu médico a ter hábitos de vida mais saudáveis como praticar exercícios físicos e realizar mudanças na alimentação. Outra medida é investigar se existem motivos para elevação do colesterol, como problemas na tireoide ou algum medicamento que o eleve. Quando, apesar das medidas iniciais, o colesterol se mantém em níveis de risco para o coração, o médico adiciona medicamentos para o seu controle. O cardiologista sabe como lidar com essa situação e integrar todos os fatores de risco cardíaco para adaptar o tratamento dos pacientes às necessidades clínicas.

 

*Perguntas respondidas pelo diretor científico da SOCERJ, Dr. Claudio Tinoco

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