Grupo de Estudos em Eletrocardiografia

Olá amigos

Estou encaminhando três traçados eletrocardiográficos, com os quais será reiniciado o site da SOCERJ, a partir de hoje. Nos dois primeiros, envio os comentários correspondentes, com o respectivo diagnóstico final.

O terceiro ECG é acompanhado apenas pela história clínica, com alguns detalhes do exame físico, para servir de exercício diagnóstico aos amantes da eletrocardiografia. A resposta será dada na próxima semana.

Boa sorte para todos!

Dr. Ernani Luiz Miranda Braga

 

CASO 1

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Trata-se de uma mulher de 41 anos, internada com quadro clínico compatível com ICC de gravidade, dispneica, apirética, apresentando edema generalizado. Sabia ser portadora de lesão orovalvar, com abandono de tratamento há 3 anos. Não se apresentava cianótica, sendo observado sopro sistólico situado em foco mitral, cujo ictus se encontrava desviado para a esquerda, irradiando-se levemente para o dorso.

O ECG mostra ritmo sinusal, com desvio de QRS para a esquerda, frequência cardíaca em torno de 100bpm, com sinais de sobrecarga atrial esquerda, observada por entalhamento da onda P em D2, com índice de Morris positivo, por espessamento da deflexão negativa de P em V1, além da sobrecarga ventricular esquerda, de caráter sistólico, com índice de Sokolow-Lyon igualmente positivo, pelo somatório da deflexão negativa de V3 com a positiva de V5 superior a 35mm.

Encontramos ainda batimentos ectópicos, com ativação precoce, no segundo batimento registrado em V1, V2 e V3, além de um batimento ectópico, com diferença morfológica, no 5º batimento na derivação longa de D2, interpolado, sem precocidade ou pausa compensatória.

Tais achados, com a realização do Eco TT, levaram à confirmação diagnóstica da Insuficiência Mitral, acompanhada de grave Insuficiência Cardíaca Esquerda, com degeneração congestiva.

CASO 2

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Trata-se de um homem, de 47 anos, internado emergencialmente por quadro de precordialgia intensa, com irradiação mandibular, acompanhada de severo déficit hemodinâmico. O paciente encontrava-se hipotenso ( PA 70/40mmHg), taquicárdico, com ritmo irregular, sudorético, apresentando vômitos frequentes.

A simples visualização do traçado eletrocardiográfico já nos conduz para o diagnóstico e tratamento imediato. O paciente se encontra em ritmo de fibrilação atrial, com frequência média em torno de 150/160bpm, mostrando área de corrente de lesão subaguda, que se estende por toda a parede anterior e lateral, caracterizando o infarto do miocárdio anterior extenso – observar a formação da onda q, seguida do supradesnivelamento do segmento ST, com elevação do ponto J a 5mm, em V2 e V3, além do correspondente infradesnivelamento do segmento ST em parede inferior, conhecido como “ imagem recíproca”, para confirmação da área inativa anterior e lateral. Os batimentos ectópicos, vistos em D2 e aVL, predizem a possibilidade, posteriormente confirmada, de grande instabilidade miocárdica, com evolução para taquiarritmia ventricular e fibrilação, controladas pela cardioversão elétrica e infusão sérica de Lidocaína. A fibrilação atrial foi o primeiro sinal apresentado da pericardite, clinicamente tratada e curada.

A realização da coronariografia mostrou lesão suboclusiva de tronco coronariano, tratada pela revascularização, numa época em que não dispúnhamos do tratamento por angioplastia.
O paciente, após 23 dias de internação, recebeu alta para tratamento ambulatorial.

CASO 3

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Trata-se de uma mulher de 44 anos, moradora do interior do país, lavradora, que jamais havia se submetido a um exame médico. Em determinado momento, iniciou quadro de cansaço extremo, que a impossibilitava de exercer suas funções laborativas, acompanhado de importante turgência jugular patológica e edema de membros inferiores.

Levada a um facultativo, este observou baqueteamento digital, associado à leve cianose periférica, recomendando sua vinda para um centro médico mais desenvolvido, onde, então, se internou para tratamento.

A realização do eletrocardiograma foi fortemente sugestiva de um determinado diagnóstico, rapidamente confirmado por um exame complementar, que possibilitou, em conjunto, seu tratamento, com bom resultado final.

Perguntamos:
1- O que mostrou o ECG para sugerir o diagnóstico?
2- Qual o exame complementar que o confirmou?
3- Que conduta seria tomada para o tratamento?

As respostas virão na próxima semana. Desejo a todos boa sorte e que possamos manter essa sessão, com proveito para todos.

Um abraço,
Dr. Ernani Luiz Miranda Braga

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